Sua profissão corre risco de ser eliminada?

Carlos Teixeira
Futurista

Certas tendências são invisíveis porque os olhos estão voltados para um lado e as mudanças acontecem do outro lado. Os mágicos sabem bem como isso funciona. E é o que anda acontecendo no mercado de trabalho. Enquanto a sociedade presta atenção, com razão, na recessão da economia brasileira, outro fenômeno ocorre paralelamente. Uma parte considerável dos empregos que estão sendo eliminados jamais será recuperada nos próximos anos.

Mesmo que ocorra uma retomada do crescimento. E a sociedade deveria estar atenta ao comportamento do mercado. Não basta, portanto, rezar pela recuperação do mercado interno. A justificativa é simples: as pessoas estão sendo substituídas definitivamente por sistemas informatizados ou por máquinas. Lenta e discretamente. Uma substituição sem volta.

No livro “A Segunda Era das Máquinas”, Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, do MIT, demonstram a validade da tese, como um processo contabilizado em estatísticas nas últimas décadas. Segundo os autores, “durante a maior parte dos séculos 19 e 20, as oportunidades de emprego nornalmente voltavam com força depois de cada recessão”.

Porém, desde os anos 1990, a contratação não se recuperou com a mesma facilidade após novos períodos recessivos. “Não é coincidência”, assinalam os autores, “que, conforme a informatização da economia avançava, os padrões de contratação pós recessão mudavam.

Uma análise de série das décadas de 1980 a 2000, revelou que a demandam por tarefas cognitivas rotineiras, como caixas, atendentes de correios e bancários, e por trabalhadores em tarefas manuais, como operadores de máquinas, pedreiros e costureiras, não estava apenas caindo. Estava caindo de forma aclerada.

Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee constatam, então, a partir de conversas com executivos seniores, a consciência de que a tecnologia da informação tornaria supérfluos muitos trabalhos rotineiros. Cortar empregos quando a economia está crescendo, propiciando receita e lucros favoráveis, pode ser dificil. Quando a recessão chega, a queda dos negócios das empresas torna mais fácil implementar uma rodada dolorosa de reformulações e cortes de pessoal. Segundo um dos executivos, “assim como muitas outras empresas nos últimos anos, a organização dele pensou que poderia usar a tecnologia para crescer sem usar esses trabalhadores dispensados”.

A disposição para a substituição está em todos os lugares, diante da maturidade tecnológica e da redução dos preços do acesso às inovações. Com a crise atingindo todos os setores, cortar salários é o objetivo. Pode ser em portarias de prédios, onde os salários dos porteiros podem representar 70% dos gastos dos condomínios. O monitoramento a distância das portarias vira solução com a implantação de câmeras e sensores, que permitem concentrar todo o processo de monitoramento de vários prédios em bases distantes.

A maior parte - absoluta - da sociedade não se interessa por tais tendências. Fazem como motoristas de táxi, que não acreditavam na história do Uber. O sistema de informalização do transporte de passageiros chegando e os taxistas achando que em suas cidades uma coisa daquelas não pegaria. Até que pegou. Atropelou quem ficava ficava tranquilo, palitando os dentes e ouvindo noticiário do futebol enquanto usuário não vinha.

Segundo estudos sobre complexidade, o comportamento da sociedade é o resultado de uma dificudade inerente ao ser humano. As pessoas não dão conta de encarar a realidade em seus tons complexos. São mecanismos que travam as pessoas diante do perigo. Para o Nobel de Literatura T. S. Eliot, "o ser humano não suporta muita realidade".

“Queremos pensar que o mundo é, de algum modo, seguro e previsível”, diz o sueco Magnus Lindkvist, estudioso de tendências. O reconhecimento de limites da capacidade das pessoas em entender a rapidez, multiplicidade e diversidade das mudanças não é suficiente. É essencial reverter. Afinal, as transformações estão ocorrendo em ritmo exponencial. Quando chegaramos a 2020, que já está logo ali, muita gente vai constatar que a revolução digital já se consolidou.


Oportunidade para pensar o futuro estrategicamente
Entender as mudanças e ter visão de futuro te auxiliará a sair à frente em 2017. A estação do saber está oferecendo um workshop diferenciado para que você possa ter um sábado para entender as mudanças, visualizar oportunidades e sair à frente no mercado de trabalho em 2017.

Quando?

19 de novembro de 8:30 as 17:30

Onde?
Belo Horizonte (endereço a confirmar)

Para que?
Possibilitar aos participantes repensar suas carreiras a partir de uma visão de tendências futuras.

Inscrições e mais informações

www.estacaodosaber.com/workshop